Arquivo da tag: virginia woolf

Resenha: Um teto todo seu | Virginia Woolf

Não sei se isto aqui pode ser chamado de resenha (existem N discussões nos blogs sobre literatura a respeito do que seria uma resenha), mas por força do hábito, mantive o título da postagem. De fato, acho difícil resenhar brevemente e de maneira leve um livro de não-ficção que se propõe a discutir um tema tão complexo e com tamanha profundidade. Mas vou tentar.

A room of one's ownEm 1928 Virginia Woolf foi chamada à Newnham College e Girton College, faculdades só para mulheres, para uma fala que tivesse por tema mulheres e ficção. Em 1929 uma versão extendida dessas palestras foi publicada sob o título Um teto todo seu.

Espanta a atualidade das questões levantadas por Woolf. Ela fala sobre mulheres autoras, mulheres personagens e mulheres na história para traçar um panorama de como a visão social do sexo importa, influencia e mesmo determina as possibilidades de atuação de cada um. O título do livro, Um teto todo seu, se refere às próprias condições materiais das mulheres ao longo do tempo e como isso influencia a produção literária. Pré-requisitos básicos como ter um espaço para si, um cômodo para dedicar-se à escrita, por exemplo: a falta do espaço individual e a necessidade da mulher de estar sempre entretendo ou cuidando da casa, o que sempre limitou consideravelmente mesmo a própria reflexão sobre si mesma.

Recorrendo a uma personagem ficcional, Virginia Woolf percorre a literatura ao longo do tempo em busca de mulheres autoras, de pontos de vista vindos do sexo feminino, e vai até historiadores para tentar buscar uma narrativa sobre a mulher que não viesse de homens – em vão. Woolf denuncia o silêncio ao qual a mulher foi confinada durante tanto tempo – por ser tida como incapaz, inferior ou porque a natureza não teria pretendido nunca que a mulher se ocupasse de certos temas, confinando-a a outros espaços de atuação.

Um teto todo seu, de Virginia WoolfExistem, é claro, pontos nos quais discordo de Woolf. Sempre há. Ela critica Charlotte Brontë, por exemplo, porque ela deixaria transparecer muito suas preocupações e ressentimentos pessoais em Jane Eyre (a condição de mulher deixaria pouco espaço para uma escrita que não demonstrasse tais sentimentos). Particularmente tendo a discordar que este seja um ponto negativo em si. Entretanto, não deixa de ser um  ponto interessante a ser levantado, uma vez que pode ser visto como limitador da literatura produzida por mulheres, que invariavelmente cairia nesta questão em detrimento de outras. Entendo, desta forma, que aprisiona a mulher porque, tendo que se preocupar primeiramente com seu sexo, acaba não discutindo outras temáticas, sejam elas quais forem.

De maneira geral, um livro muito recomendado. Foi minha primeira leitura da Virginia Woolf e definitivamente me atiçou a curiosidade quanto a outros de seus livros.

Esta leitura foi indicada pelo Bastardas, projeto de leituras feministas que abre um fórum de discussão do livro escolhido a cada mês. O próximo livro a ser discutido é As meninas, da Lygia Fagundes Telles (infelizmente não lerei, mas fica a sugestão).

***

Título original: A room of one’s own
Ano de publicação: 1929
Idioma original: Inglês

Título em português: Um teto todo seu
Ano de publicação: 2014
Editora: Tordesilhas
240 páginas

Vídeo: Leituras do mês | Fevereiro de 2015

LIVROS MENCIONADOS:

O talentoso Ripley, de Patricia Highsmith

O barão nas árvores, de Italo Calvino

Um, dois e já, de Inés Bortagaray

Cada homem é uma raça, de Mia Couto

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Um teto todo seu, Virginia Woolf

4 autores para 2015

Eu sei que estamos avançados já 2015 adentro para fazer este tipo de post, com visões gerais sobre o ano que se extende à nossa frente, mas vou fazer isso mesmo assim. Vou, a essa altura do campeonato, listar quatro autores que eu gostaria muito de conhecer neste ano.

VirginiaWoolfVirginia Woolf

Eu acho que tirando aquele momento no qual o filme As horas fez muito sucesso (e eu gostava muito da Nicole Kidman), nunca mais tive real interesse em ler Virginia Woolf. Talvez fosse puro desinteresse, talvez receio do que se diz sobre a dificuldade de ler e acompanhar o tão falado fluxo de consciência, mas por mais que houvesse um auê em cima da autora, eu nunca tinha me importado muito com ela. Entretanto, a Francine (do site e canal Livro & Café) finalmente me convenceu. Ela faz mais do que elogiar Virginia Woolf: ela explica, lê em voz alta, coloca em discussão a obra da autora, o que fez brotar em mim um real interesse em ler, se não todas, algumas obras da V.Woolf. O empurrãozinho final foi dado pelo projeto Bastardas, que neste mês de fevereiro lê e discute o livro Um teto todo seu.

Pretendo ler:
Orlando
– Um teto todo seu
– O valor do riso

jorge-luis-borgesJorge Luis Borges

Já ali aqui ali um conto do Borges. Trechos encontramos sempre, destacados aqui e ali. Em epígrafes então… Mas está na hora de sentar e ler o homem. O Homem. Borges faz parte também do projeto Porque ler os clássicos?, que acredito ajudará a dar uma norteada na leitura de sua obra.

Pretendo ler:
– Ficções
– O Aleph

valterhugomaeVálter Hugo Mãe

Morro de vontade, adio constantemente. Entre os livros que moram comigo, já tem alguns da atoria deste português. Eu confesso que no finalzinho de 2014 cheguei a ler um livrito de sua autoria, O paraíso são os outros, mas que é um texto tão curto que não acredito sirva para dizer que se conhece o autor. Sei que partirei para a leitura com um certo medo, dado o tanto de elogios que vejo por aí – sinto-me obrigada a amar porque se não amar é porque não entendi, porque não fui capaz. (Pois é, muita expectativa!) O Válter Hugo Mãe é mega ativo no Instagram, onde posta fotos lindas.

Pretendo ler:
– A máquina de fazer espanhóis
– A desumanização
– O filho de mil homens

philip-k-dick1Philip K. Dick

Esse aqui vem como representante de um gênero que não costumo ler e com o qual tenho certo pé atrás: o gênero de ficção científica. Existem mais autores deste ramo que quero muito, muito mesmo conhecer (como Margaret Atwood), mas por enquanto tenho estado bastante curiosa com Dick, que pelo que vejo tem seus vários fãs fervorosos. Interferiu a seu favor ele ter escrito o livro que inspirou o ótimo Blade Runner.

Pretendo ler:
– Andróides sonham com ovelhas elétricas?
– Ubik

***

Claro, existem outros autores que não li e que definitivamente entram sempre nas minhas listas de pendências. Os citados aqui são apenas os urgentes, os que, espero, deste ano não passam.

Comentários sobre estes autores ou sobre quais escritores vocês estão na fúria para conhecer este ano são bem vindos! 😉