Arquivo da tag: alice munro

3 autores para conhecer mais em 2015

Na onda do post sobre autores para conhecer em 2015, pensei também em autores que gostaria muito do conhecer mais. Às vezes nos deparamos com leituras únicas, com estilos e temáticas que nos deixam procurando por mais – não mais do mesmo, mas mais daquela surpresa, mais do inesperado. Aqui minha lista de autores que me deixaram curiosa.

Photo by Suki Dhanda Lionel ShriverLionel Shriver

Precisamos falar sobre o Kevin foi um livro que me perturbou. Lionel Shriver toca em assuntos no mínimo cabeludos; ala coloca o dedo na ferida que todo mundo está tentando ignorar – e cutuca. Pelo que li sobre seus outros livros, esta é uma característica que segue em toda sua obra até o momento.

Pretendo ler:
– Grande irmão
– O mundo pós-aniversário
– A nova república

Alice Munro

OAliceMunros contos de Alice Munro em Ódio, amizade, namoro, amor, casamento me impressionaram muito. São histórias simples, cenas triviais, mas que se mostram pequenos universos da complexidade humana. Especialmente me chamaram a atenção as mulheres dos contos de Munro, pois pela primeira vez eu consegui enxergar mulheres muito reais. A obra de Munro foi premiada diversas vezes, recentemente com o Nobel de Literatura em 2013.

Pretendo ler:
– Vida querida
– O amor de uma boa mulher
– Fugitiva

miacouto

Mia Couto

Vamos ver se este ano emplaco algum romance do Mia Couto. Até agora li do autor apenas dois livros de contos, O fio das missangasCada homem é uma raça. Cada frase do Mia Couto é uma surpresa, é uma maneira nova de usar, torcer e retorcer a língua portuguesa. Seus contos trazem elementos fantásticos misturados à dura realidade de um país, Moçambique, recém saído da guerra de independência.

Pretendo ler:
– Terra sonâmbula
– Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra
– E se Obama fosse africano?

Resenha: Ódio, amizade, namoro, amor, casamento | Alice Munro

Fui meio no escuro ao encontro da Alice Munro. Sabia dela apenas que é canadense, escreve contos e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2013. Foi assim, meio aleatoriamente, que escolhi Hateship, friendship, courtship, loveship, marriage como porta de entrada.

Hateship, friendship, courtship, loveship, marriage - Alice MunroAntes de mais nada, gostaria de falar do quanto essa leitura flui. Quando o livro chegou em casa peguei para dar uma olhada, uma folheada apenas – e acabei não largando. Não digo que é um thriller, mas concordo com a citação na contra-capa que observa que cada conto tem um elemento de suspense, algum mistério: esperamos o desenrolar da história sem poder perguntar “o que vai acontecer?”, porque as possibilidades são tantas que nem mesmo sabemos se nossa pergunta será pertinente. Entendo que isso acontece porque, acompanhando um personagem, vemos como ele é desnudado, escancarado e, sabendo de suas dúvidas, seus desejos e conflitos internos, percebemos o quanto ele mesmo é imprevisível.

Os nove contos do livro têm, com exceção do último, mulheres como personagens principais. Começou aí a minha reação ao livro – reação no sentido mesmo responder àquela leitura, de sentir e pensar sobre aquilo. Vinha de livros escritos por homens que construíam algumas mulheres que me pareciam pouco reais ou pelo menos pouco exploradas, e de obras de mulheres que paravam sua narração no casamento. Munro, pelo contrário, se dedica basicamente aqui a contar de mulheres casadas e/ou estabelecidas em funções domésticas, aquele lugar depois do fim da história. A impressão que eu tive foi a de estar escutando mulheres invisíveis, mudas, e que estão buscando uma maneira de serem enxergadas pelo que elas são, e não ter suas identidades definidas em função de sua relação com o outro.

Ao entrar nos desejos mais profundos dessas mulheres, encontramos personagens falhas, contraditórias, reais. Esses supostos defeitos, no entanto, são colocados de maneira muito sensível (embora também direta) e, entendidos na complexidade de cada personagem, torna-se imposível julgá-los.

Ódio, amizade, namoro, amor, casamento - Alice Munro***

Essa presença incessante de mulheres me fez pensar muito mais sobre a necessidade de variar leituras. Há um tempo atrás vi algumas pessoas dizendo que não escolhiam livros baseados no gênero do autor, e sim na qualidade da obra (como se uma coisa excluísse a outra). Se aceitamos que as diferentes experiências de vida aparecem na escrita, nos temas e nos tratamento que cada autor imprime em sua obra, por que alguns ainda resistem em entender que o gênero (todos!) faz parte dessa maneira de perceber o mundo?

Enfim, Alice Munro, além de ums escrita hipnotizante na qual nos leva a encarar alguns demônios com o horror da quase naturalidade, me marcou também por me fazer pensar muito mais na mulher na literatura.

***

Título original: Hateship, friendship, courtship, loveship, marriage
Ano de publicação: 2001
Idioma original: Inglês

Título em português: Ódio, amizade, namoro, amor, casamento
Ano de publicação: 2013
Editora: Biblioteca Azul/Globo Livros
360 páginas

Panorama de leituras: abril de 2014

Um vídeo com os livros lidos no mês de abril de 2014 e o que estou lendo no momento.

Livros mencionados:

Razão e sensibilidade, de Jane Austen (resenha aqui)
Mudança, de Mo Yan (resenha do Milkshakespeare and Company aqui)
Pavor espaciar, de Gustavo Duarte
Rebecca, de Daphne du Maurier (resenha aqui)
Hateship, friendship, courtship, loveship, marriage, de Alice Munro
Precisamos falar sobre Kevin, de Lionel Shriver
Longe da árvore, de Andrew Solomon (resenha da Gisele Eberspächer aqui)
Beloved, de Toni Morrison (resenha da Elli aqui)