Arquivo da tag: alan pauls

Panorama em leituras: março de 2014

Passando da metade do mês de abril e passando muito da hora, aqui vai o post com minhas leituras do mês de março.

Sandman Vol.1Sandman, Vol.1: prelúdios e noturnos, de Neil Gaiman
The Sandman, Vol.1: Preludes and Nocturnes

Na verdade esta foi uma releitura. Já tinha lido este volume há alguns anos, porém em português. Sandman é simplesmente genial, não tenho mais o que falar sobre. Foi a segunda obra do Neil Gaiman que li (comecei com Stardust) e realmente me abriu mais possibilidades ainda para o que quadrinhos poderiam ser.

Azul é a cor mais quenteAzul é a cor mais quente, de Julie Maroh
Le bleu est un coleur chaude

Confesso que fui com muita sede ao pote neste aqui. Não que não tenha gostado, mas talvez esperasse demais (demais do tipo “mudou minha vida para sempre!”), o que nunca é uma boa coisa, nem para livros nem para qualquer coisa. É uma história muito bonita, contada de uma maneira delicada, embora de maneira alguma leve.

O passado, de Alan PaulsO passado, de Alan Pauls
El pasado

Depois de um tempo me enrolando com esse livro consegui finalizar a leitura no começo de março. Já tem uma resenha aqui. Ainda fico em cima do muro com esse livro, não sei qual é meu sentimento em relação a ele, mas é definitivamente uma história pesada de obsessão, amor doentio, um amor na verdade que não sabemos se já chegou na loucura.

Os_gatosOs gatos, de Patricia Highsmith

Nunca havia lido nada da Patricia Highsmith e fiquei interessada. Na verdade esse foi um dos livrinhos que passou na frente, que vi na prateleira da livraria e tive que começar a ler imediatamente. Para quem não sabe, eu adoro gatos, já morei com alguns e neste momento tenho a minha gatinha Margot deitada, preguiçosa toda vida, na minha cama. Os gatos reúne contos, poemas e desenhos da Patricia Highsmith sobre gatos. Gostei especialmente de um conto que tem o próprio gato como protagonista, fico olhando aqui para a Margotzinha e imaginando o que ela deve achar da vida.

O nome da rosaO nome da rosa, de Umberto Eco
Il nome della rosa

A grande leitura do mês e sem dúvida alguma da vida. Demorei bastante para finalmente decidir pegar esse livro e seguir adiante com a leitura, mas acredito que li no momento certo. A resenha está aqui. Sem sombra de dúvidas esta é A recomendação dentre todos os livros lidos em março.

E é isso! O mês de abril já está bem avançado e infelizmente não parece que vai ter tantas leituras assim. Infelizmente outras atividades entram no meio e as obrigações sempre ganham da diversão… 

Café, pão de queijo e… O Passado

É difícil escrever sobre esse livro, falar sobre ele; às vezes não sei o que entendi. Fiquei pensando no “sobre”: sobre o que é o livro? Do que trata essa história? No final das contas, “O Passado” é sobre o amor, sim, mas um amor obssessivo, doentio, que passa longe do amor romântico.

O passado, de Alan PaulsO livro começa já com o término do casal milenar Rímini e Sofía. Digo milenar porque é assim que parece que eles se entendem e que o mundo entende eles. Ficaram juntos durante doze anos, mas o choque que o fim da relação causa não só neles mesmos, mas em todos que os rodeiam, dá a entender que é como se aquilo fosse antinatural – o fim de uma era.

Embora a narrativa siga uma linha mais ou menos cronológica, em vários momentos somos transportados ao passado através da memória de Rímini (que é quem acompanhamos), resgatando momentos nos quais ele e Sofía ainda estavam juntos, episódios específicos e aparentemente supérfluos, mas que de alguma maneira se conectam com o presente, com algo normalmente imperceptível que só Rímini nota e o faz viajar em suas lembranças e sensações. Aliás, me chamou a atenção especialmente esse jeito de ir e vir: Alan Pauls utiliza frases super longas, cheias de apostos, de parêntenses, extrapola uma observação para depois voltar… E começa tudo de novo. Tenho que admitir que por vezes isso me cansou (existem páginas e páginas, por exemplo, de uma história totalmente marginal), mas por outro lado somos assim. Quero dizer: não pensamos linearmente (pelo menos eu, não!), muitas vezes começamos em um assunto para, escorregando para cá e para lá, cair em outras histórias, lembramos de um episódio, vamos viajando. Nesses zigue-zagues acabamos conhecendo mais de Rímini, da sua maneira de relacionar as coisas, das suas memórias que não são necessariamente sobre os grandes episódios da sua vida, mas do pequeno, do que a outros olhos pode ser insignificante, mas que são pilares do que ele é.

Rímini tem outros relacionamentos, mas durante todo o livro Sofía é constante presença, seja nas memórias, seja em suas óbvias memórias, acasos impossíveis, encontros aleatórios ou inevitáveis. Suas vidas já foram entrelaçadas demais e parece que nenhum dos dois quer largar daquilo.

Outro dia li este artigo no Ñ, do Clarín, sobre um estilo literário que poderia ser considerado para homens, e lá está Alan Pauls. Apesar de tudo o que se possa dizer contra isso, entendo em certas medidas, pois realmente em vários momentos foi difícil para mim entender algumas das mulheres em “O Passado”, especialmente Sofía. Claro, eu só posso falar da minha própria experiência como mulher, mas algumas coisas me pareceram estranhas e cheguei mesmo a pensar “Mas eu não conheço nenhuma mulher que faria/diria isso!”. Mas também pode ser o caso de estarem todos esses personagens sob o efeito do vírus do amor, alterados, transtornados, meio loucos e desesperados.

No final das contas, “O Passado” é uma quebra muito grande em relação às maneiras de amar com as quais estamos acostumados a ver em livros, filmes, Jane Austen e Disney. (Sem críticas! Eu adoro Austen e cresci com Disney!) É cru, direto ao ponto quanto ao sexo, mas não necessariamente quanto aos sentimentos. As pessoas são desorganizadas, bagunçadas, obssessivas, e é dessas ideias e sobretudo da ideia de que o amor é doente e doentio, que Alan Pauls constrói essa saga por Buenos Aires, na qual dois ex namorados não conseguem deixar de estar presentes nas vidas um do outro.

Título original: El pasado
Ano de publicação: 2003
Idioma original: Espanhol

Título em português: O passado
Ano de publicação: 2007
Editora: Cosac Naify
480 páginas

Feira: Janeiro de 2014

Se no ano de 2013 eu fui uma pessoa ultra comportada no quesito compras de livros, atendo minhas leituras ao que eu já tinha na estante ou no Kindle, 2014 começa com uma amostra preocupante. Se o primeiro mês do ano ditar o tom do ano, posso dizer que daqui a onze meses estarei com um rombo bancário preocupante.

 

Cosac Naify: promoção de virada do ano

– História do pranto, Alan Pauls
– História do cabelo, Alan Pauls
– O sonho dos heróis, Adolfo Bioy Casares
– Coração, Edmondo de Amicis

 

Livraria Leitura: vi e queria imediatamente

Valente para todas, Vitor Cafaggi
Valente por opção, Vitor Cafaggi

Fnac: surto de quadrinhos (que coincidentemente estavam em alguma promoção)

Maus, Art Spiegelman
– Laços, Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi
Azul é a cor mais quente, Julie Maroh

Cosac Naify: mais promoção…

Os miseráveis, Victor Hugo
– A máquina de fazer espanhóis, Válter Hugo Mãe
– Bonsai, Alejandro Zambra
A vida privada das árvores, Alejandro Zambra

Ainda não me decidi sobre o que acho da Cosac Naify: amo por suas lindas edições e um mês de promoções, ou odeio – também pelas promoções? O problema dos descontos é que eles aparecem de uma hora pra outra e sabemos que são efêmeros, temos que nos apegar àqueles preços antes que eles desapareçam. E aí, é claro, vemos no final do mês um saldo problemático, fruto desses desesperos. E nem estou contando aqui outras compras que ainda não acharam seu caminho até minha estante….

Alguém mais enfiou o pé na jaca este mês?

Panorama em leituras: janeiro de 2014

Eu tinha grandes expectativas para o mês de férias. Só não processei o fato de que “férias” era uma palavra muito forte para o que não passava de “não ter aulas” – porque o trabalho, este impiedoso, não para nunca.

1Q84, de Haruki Murakami

1q84EN Comecei o ano terminando, finalmente, “1Q84”, do Haruki Murakami. Havia começado no ano passado e por causa da dificuldade de transportar esse tijolo (nota mental: evital edições em volume único) acabou que fui deixando de lado e de lado, até que ele ficou no standby. Já havia lido os dois primeiros livros, mas vou contabilizar como leitura de 2014 porque terminei a obra completa só agora.

1q84PT

E o que dizer? Bem, difícil falar sobre esse livro, mas de maneira geral posso afirmar que foi nhé. A trama entrelaçada, cheia de mistérios, coisas estranhas e ligações curiosas me fez pensar em algo muito elaborado e que no final das contas acabou me decepcionando. A bem da verdade, não entendi o porque de tanto para tão pouco. Além disso, os personagens não me chamaram a atenção e a escrita talvez menos ainda. Uma decepção que, depois de tanto esforço, me fez desistir do Murakami por algum tempo.

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
Brave New World

AdmiravelMundoNovo

E enquanto terminava “1Q84” nas horas de folga em casa, carregava na bolsa esta outra distopia. Geralmente citado junto de “1984” (George Orwell), “Admirável Mundo Novo” me pareceu mais interessante. O tipo de sociedade, o tipo de homem e controle exercido… Controle que, se parece exagerado, não é de todo absurdo. O condicionamento é algo que vira e mexe discutimos, seja para questionar nossos modos de consumo até padrões de beleza. Me pareceu uma leitura interessante e talvez tivesse aproveitado mais (porque me chocaria mais) se tivesse lido na adolescência.

Valente para Todas, de Vitor Cafaggi

ValenteParaTodasEventualmente farei um post só sobre o Cafaggi. Fica aqui então, por enquanto, o registro da minha surpresa ao entrar na Livraria Leitura e dar de cara com um display cheio de Valentes. Já tinha o primeiro, que foi minha introdução a este lindo mundo criado pelo quadrinista, então já fui pegando os outros dois (o terceiro devo estar poupando, porque nunca que me animo de ler para ter ainda algo do Cafaggi de novo me esperando!). Continua lindo, mas mais profundo ainda, falando das contradições e dúvidas de adolescentes (e adultos), em dilemas muito reais e ainda assim comoventes e engraçados.

Meio Sol Amarelo, de Chimamanda Ngozi Adichie
Half of a Yellow Sun

HalfOfAYellowSunPara minhas impressões completas sobre essa leitra, é só clicar aqui.

MeioSolAmareloChimamanda (sim, chamo ela nessa intimidade do primeiro nome por algum motivo desconhecido) me comoveu, me mostrou uma nova África ao falar somente sobre a Nigéria, quebrando com aquela imagem de falta de diversidade em um continente, como se ele fosse todo uniforme. Me fez experimentar um pouco da guerra, ainda que não chegue perto de ser realmente uma vivência; pensar em crenças, descrenças, do que somos ou não capazes e da imprevisibilidade de tudo: do mundo, da vida, do ser humano. Enfim, um livro muito bonito que, embora ficcional, não deixa de ser um livro de memórias.

Ainda me arrastei e continuo me arrastando na leitura de “O Passado”, de Alan Pauls, um livro profundo, um pouco complicado às vezes e que me exige um tanto mais de concentração. Comecei também no último dia o simples “Coração”, de Edmondo de Amicis, que entrou na roda justamente para ser um mini descanso e uma descontração da minha outra leitura mais profunda.

E você, o que leu neste mês?