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O retorno: algumas mudanças no blog

Após um longo e tenebroso inverno longo período distante do blog e do canal, anuncio que estou retomando o Biblioconto!

Muita coisa aconteceu neste meio tempo, tanto na minha vida pessoal e, claro, nas minhas leituras (já que uma coisa influencia a outra, sempre). Também pensei sobre o que queria fazer do blog, já que não estava me entusiasmando muito com o formato de tudo como estava. Decidi alterar um pouco como as coisas serão feitas, tanto aqui como no canal do YouTube. Abaixo, alguns pontos:

  • Resenhas: desisti delas. Digo, não quero, não sinto à vontade, postando um texto sobre um livro e seguindo um roteiro do que falar/analisar. O que quero é escrever algo, uma reflexão, que possa ter me surgido a partir da leitura. Isso pode ser falar abundantemente sobre o livro em si, mas pode também tocar apenas tangencialmente na obra.
  • Vídeos: não serão mais semanais. Ok, já não são há muito tempo, mas eu tinha o propósito de que fossem e a verdade é que nem sempre posso cumprir com essa frequência e não quero deixar ninguém aguardando. Farei pelo menos um vídeo por mês, com um resumo das leituras do período. Se der vontade ou tiver assunto, faço outros.
  • Filmes: também gostaria de voltar a ver mais filmes, e para isso vou tentar incluir filmes aqui de vez em quando também. Na verdade, pretendo colocar no ar em breve um post para dar início ao Projeto Cinemarden, que tratará de assistir os filmes do livro Cinemarden (de Marden Machado).
  • Newsletter: resolvi fazer essa coisa também. Sou completamente nova nisso, nunca tinha assinado nenhuma e já fui sendo apresentada e criando a minha. A ideia é enviar coisas que penso durante a semana, que vejo, leio ou escuto, e que não rendem um post para este blog. Coisa rápida, mais descompromissada. Para assinar é só se cadastrar aqui.
  • Outros: um dos principais motivos do blog ter surgido foi porque pensei que seria um exercício forçado de escrever, desenvolver ideias a partir de algo (neste caso, leituras). Eu já tinha um blog antes, sobre nada em particular, e às vezes me sentia perdida, sem rumo quanto ao que escrever. O blog sobre literatura me deu esse rumo, mas sinto, neste momento, que quero voltar a pensar em outros temas. Assim, pode ser que apareçam por aqui algumas coisas diversas, mas tentarei sempre deixar indicada a leitura, filme, imagem ou seja o que for que tiver me motivado a postar sobre determinado assunto.

Ah, também continuo ativa no Snapchat! Meu usuário: oliviabiba.

E é isso! Até breve! 😉

Fim do VEDA

É chegado o fim do VEDA (vlog everyday in August / vlog todos os dias em agosto). Deixo aqui o link para a playlist com todos os 31 vídeos postados neste mês, já que não atualizei o blog em nenhum momento.

No último vídeo gravado para este desafio, que fiz correndo e sem muita preparação (porque não existe tempo para pensar muito), faltou uma verdadeira conclusão. Não expressei tão bem o que significou o VEDA para mim.

Postar vídeos todos os dias significa pensar muito em literatura. Pensar em temas de vídeos, o que falar nesses vídeos, buscar na memória os livros e autores para compor as listas e as TAGs – em suma, a gente respira literatura durante 31 dias. Isto é diferente porque não se trata “apenas” de ler durante 31 dias (acho que a maioria aqui lê bastante, se não todos os dias, bem perto disso, e por muitas horas), mas de pensar em nossos gostos literários, no que sentimos, como usamos, nós também, leitores, a palavra para falar sobre os livros que lemos.

Além disso, uma grande quantidade de vídeos significa também muito mais comentários de pessoas que estão assistindo. A ideia do vídeo não morre a partir do momento que a gente grava e posta no Youtube, mas se prolonga pelos diálogos que vão surgindo e esses diálogos em alguns casos até se estendem em nosso pensamento – seguimos refletindo sobre aquelas ideias durante muito mais tempo.

O que quero dizer com isso tudo é que durante este último mês senti a literatura muito mais próxima de mim, meio em mim. Me descobri muito mais como leitora a partir de toda essa efervescência, e o mais importante, acho que sou até mais sensível agora à literatura.

Isto reforça algo que venho pensando já há algum tempo (que muita gente aí deve ter certeza há séculos, mas pra mim é relativamente novo): a importância de falar sobre nossas experiências como forma de reflexão e aprofundamento do nosso conhecimento sobre nós mesmos e sobre o mundo. A nível universitário, a discussão sempre esteve posta para mim: lê-se um texto e na próxima aula ele é discutido. Quanto à literatura, embora essa vontade de conversar fosse constante, nunca me pareceu necessária: a gente trocava umas ideias aqui e ali com um amigo que, por coincidência, tinha lido ou estava lendo algum livro que já tinha passado pelas nossas mãos. “O que você acha desse personagem?”. “Quis matar esse fulano quando ele fez aquilo!”. Mas eram raros esse momentos. Ainda bem que existem na internet pessoas dispostas a falar sobre o que lêem.

Qual é o problema dos livros de colorir?

Hoje eu vi o vídeo de uma reportagem da Globonews que foi compartilhado na página do Facebook do Literatortura. (Link aqui) A reportagem de Zeca Camargo dizia que a morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo teria tido uma reação desproporcional por parte do público; que sendo o cantor desconhecido (que eu saiba ele é bem famoso, embora não seja pimpado em programas da Globo) a quantidade de pessoas que se comoveu com a morte teria como explicação a “modinha”.

Zeca Camargo falou um monte de coisas questionáveis, mas sendo este um blog sobre livros, me aterei à parte que ele fala sobre os livros de colorir (é com extremo pesar que faço isso, porque poderia falar horas e horas sobre todas as asneiras que foram proferidas em tom de verdade e condescendência nessa reportagem). Ele basicamente detona a onda dos livros para pintar, dizendo que eles destacam “a pobreza da atual alma cultural brasileira”.

Eu gostaria de lembrar ao Zeca Camargo, antes de tudo, que esta moda surgiu no exterior, e que a autora dos livros mais famosos do tipo, Jardim secreto e Floresta encantada, Johanna Basford, é escocesa, tendo publicado seus livros originalmente no Reino Unido. Além disso, dados de março apontam que o número de exemplares de Jardim secreto vendidos até então chegava a 1,5 milhão, dos quais 100 mil haviam sido vendidos no Brasil. Bom, se há um problema de pobreza cultural, certamente não é exclusivo e nem característico do Brasil.

Além disso, tampouco acredito que se trate de uma atividade estéril da maneira como Camargo a apresenta. De fato, o desenho está pronto, mas das linhas pretas no papel branco até a combinação de cores, passando por quais materiais e técnicas usar para atingir texturas e efeito desejados… Bem, deixo a defesa disso para o pessoal das Artes Visuais.

Mas nem são esses os pontos que eu gostaria de atacar. É que desde que surgiram, eu tenho visto muita gente descascando esses livros, basicamente no argumento de que eles estariam substituindo os “livros sem figuras”. Eu discordo. Não acho que há uma substituição, mesmo porque são coisas completamente diferentes que acontecem de estar no mesmo formato – o formato livro. Ao meu ver, trata-se de um novo produto, ou um poduto reciclado.

Falo por mim e pelo que observo: eu mesma e outros que sei serem leitores não deixaram de ler para colorir. Se tornou um outro passatempo, uma maneira de sair da TV e da internet nessas horas de muito cansaço para ler (cansaço mental existe!). Não acho que quem vai à livraria em busca de uma leitura vá trocar as palavras pelas cores – são atividades diferentes.

E numa boa? É no mínimo hipócrita que uma rede de TV que promove programas no mínimo questionáveis (para não dizer emburrecedores), venha falar que colorir é esse problemão todo.

PS: Deixo aqui um vídeo interessante do próprio Literatortura que vi só agora que acabei de escrever o texto. Aliás, lá também foi publicado um texto bem interessante de resposta direta a essa reportagem absurda.

Bibliotecas | Caminhando pelas estantes

Outro dia descobri um espacinho em uma das bibliotecas da universidade que pode ser considerado um pequeno tesouro. Quero dizer, não é nada de outro mundo, mas para aqueles que vivem na universidade mergulhados em leituras acadêmicas, que passam o dia no campus e às vezes, entre uma atividade e outra, dispõem de meia horinha, é um pedaço de sossego misturado à alegria. Trata-se de uma parte da Biblioteca Central chamada Espaço de Leitura, um cantinho que abriga a chamada coleção literária.

É verdade que as outras bibliotecas do sistema têm obras literárias e dá para sair catando aqui e ali algumas coisas – mas imaginem o que é entrar em uma livraria com livros especialmente selecionados, organizados nas estantes por algo mais do que os amplos critérios de literatura brasileira e estrangeira e o nome do autor… E ainda por cima em um lugar repleto de cadeiras, mesas, poltronas e uns sofás convidativos – e sem precisar perguntar o preço.

Fiquei me lembrando de quando frequentava a biblioteca pública daqui, que é bem grande, em prédio do Oscar Niemeyer e tudo mais. Mas eu não ligava pra isso, ou para a famosa hemeroteca. Nem mesmo para a coleção de obras raras. Eu gostava era do acervo geral. Encontrava a partezinha que reunia o assunto que me interessava no momento e ficava ali procurando não sei o que. Procurava o próprio despertar do meu interesse.

Andar pelas estantes espiando os títulos, abrindo os livros, folheando e lendo uma página qualquer, a orelha, o sumário – isso é passear. Visitar a biblioteca me parece um programa que por si só vale a pena sair de casa, desviar do caminho, gastar uma horinha. É uma viagem que rende souvenirs.

Os meus:

Anedotas do destino (Karen Blixen), O caderno rosa de Lori Lamby (Hilda Hilst)