Arquivo mensal: setembro 2015

Vamos ler O vermelho e o negro? | Stendhal

Bom, a data originalmente marcada para a discussão do livro era dia 15 de setembro. Entretanto, como a vida é implacável, tivemos que fazer um ajuste de datas e passar o debate para o domingo, dia 20 de setembro. Acredito ser um dia melhor para isso, pois no domingo geralmente temos mais tempo para a diversão literária do que em uma terça-feira (particularmente terças-feiras são os piores dias pra mim, não tenho tempo para quase nada!).

A discussão ocorrerá no Fórum Entre Pontos e Vírgulas. É necessário realizar um cadastro muito simples para ter acesso ao fórum, acredito que peça apenas email e nome.

Até lá!

Resenha: A bela Helena | Miriam Mambrini

O livro da brasileira Miriam Mambrini chegou para mim da maneira mais casual possível: me foi enviado. Geralmente opto por não receber livros para resenhas, mas a premissa deste tinha me agradado. Além disso, tratava-se de um livro que se encaixava duplamente em propósitos que tenho tentado alcançar: ler mais mulheres e dar alguma atenção a autores brasileiros.

Miriam Mambrini_A Bela Helena

A bela Helena é narrado em primeira pessoa, pela própria Helena, quena verdade se chama Talita. Na virada para o ano 2000, em vias de completar seus 60 anos de idade, Talita se vê solitária, se sente velha e no fim da vida e encontra na escrita uma maneira de olhar para trás e repensar e reorganizar sua história.

Trata-se, aliás, de uma história de perdas: uma família quebrada, com um pai que não assume a paternidade, uma mãe que se ressente de ter tido uma filha e perdido a oportunidade de crescer na vida (por meio do casamento, é verdade), relações amorosas controladoras, obsessivas e desastrosas, um filho distante. Aliás, um dos pontos que mais me chamou a atenção  no livro foi esta posição da mulher nos anos 50 e 60, que sempre existe em relação a alguém, que até deseja ser independente e parece estar prestes a se libertar de certas amarras sociais, mas permance presa pelo temor da opinião pública.

Talita/Helena vive justamente um período histórico marcado pela liberdade sexual, mas embora expresse, de certa forma, seus desejos e vontades, tem de arcar com as pesadas consequências de seus atos. Mambrini dirige sua atenção para fora dos círculos intelectuais ou de movimentos estudantis ligados às ideias de revolução sexual ou libertação feminina, localizando sua história em um ambiente conservador e intelectual e politicamente alheios aos grandes acontecimentos que marcaram a época (como viveu a maioria esmagadora da população na época). Assim, a personagem persegue sua felicidade e tranquilidade em casamentos, na tranquilidade do dinheiro que vem com um homem de boa posição social.

Aqui esteve, aliás, um dos meus grandes incômodos com o livro. Embora adote um discurso que aponta os cerceamentos impostos à mulher em uma socidade patriarcal, Talita/Helena busca o mesmo: encontrar a felicidade através de um homem. Particularmente infundada é uma relação que ela mantém por anos com um homem, Laerte, que aparece ocasionalmente em sua vida e também some do nada, sem deixar rastros. Uma situação que se arrasta por décadas, mas que em nenhum momento parece fazer sentido. Trata-se de um amor baseado no estranho prazer que a personagem sente em ser perseguida e observada de longe por um homem da qual ela nada sabe e que, quando resolve mostrar-se, abala o espírito da mocinha com seu jeito possessivo e de que alguém acostumado a dar ordens e ser obedecido. Vale lembrar, aliás, que a maioria das relações da protagonista são baseadas nessa expressão de posse e comando que o homem expressa junto à mulher e que a faz tremer os joelhos por ser objeto de desejo de um “homem de verdade”.

Outro ponto menor que me incomodou (mas aqui só estou sendo mais chatinha mesmo, admito) é o ambiente Leblon de novela do Manoel Carlos. Desde os nomes até esse pedacinho de Rio de Janeiro retratado, os dramas e mesmo o romance que tem o mesmo fundamento raso que qualquer novela, me pareceu uma obra facilmente visualizada com atores da Globo às 21h.

MiriamMambriniA escrita de Miriam Mambrini, entretanto, é leve, rápida e envolvente. Não fossem os aspectos citados que me irritaram profundamente, teria sido realmente uma leitura agradável. Não sei se, agora, escolheria um livro dela numa biblioteca ou livraria para ler, mas não descarto a possibilidade de me aventurar em alguma outra obra sua, especialmente porque, como ressaltei, é uma leitura agradável.

2stars

Título: A bela Helena
Ano de publicação: 2015
Editora: 7Letras
210 páginas