Arquivo mensal: agosto 2015

Fim do VEDA

É chegado o fim do VEDA (vlog everyday in August / vlog todos os dias em agosto). Deixo aqui o link para a playlist com todos os 31 vídeos postados neste mês, já que não atualizei o blog em nenhum momento.

No último vídeo gravado para este desafio, que fiz correndo e sem muita preparação (porque não existe tempo para pensar muito), faltou uma verdadeira conclusão. Não expressei tão bem o que significou o VEDA para mim.

Postar vídeos todos os dias significa pensar muito em literatura. Pensar em temas de vídeos, o que falar nesses vídeos, buscar na memória os livros e autores para compor as listas e as TAGs – em suma, a gente respira literatura durante 31 dias. Isto é diferente porque não se trata “apenas” de ler durante 31 dias (acho que a maioria aqui lê bastante, se não todos os dias, bem perto disso, e por muitas horas), mas de pensar em nossos gostos literários, no que sentimos, como usamos, nós também, leitores, a palavra para falar sobre os livros que lemos.

Além disso, uma grande quantidade de vídeos significa também muito mais comentários de pessoas que estão assistindo. A ideia do vídeo não morre a partir do momento que a gente grava e posta no Youtube, mas se prolonga pelos diálogos que vão surgindo e esses diálogos em alguns casos até se estendem em nosso pensamento – seguimos refletindo sobre aquelas ideias durante muito mais tempo.

O que quero dizer com isso tudo é que durante este último mês senti a literatura muito mais próxima de mim, meio em mim. Me descobri muito mais como leitora a partir de toda essa efervescência, e o mais importante, acho que sou até mais sensível agora à literatura.

Isto reforça algo que venho pensando já há algum tempo (que muita gente aí deve ter certeza há séculos, mas pra mim é relativamente novo): a importância de falar sobre nossas experiências como forma de reflexão e aprofundamento do nosso conhecimento sobre nós mesmos e sobre o mundo. A nível universitário, a discussão sempre esteve posta para mim: lê-se um texto e na próxima aula ele é discutido. Quanto à literatura, embora essa vontade de conversar fosse constante, nunca me pareceu necessária: a gente trocava umas ideias aqui e ali com um amigo que, por coincidência, tinha lido ou estava lendo algum livro que já tinha passado pelas nossas mãos. “O que você acha desse personagem?”. “Quis matar esse fulano quando ele fez aquilo!”. Mas eram raros esse momentos. Ainda bem que existem na internet pessoas dispostas a falar sobre o que lêem.