Leituras temáticas: Natal 2014

Eu gosto de Natal. Não porque seja religiosa (me identifico como ateia), embora ache bonitos certos aspectos das crenças e rituais. Não é pelos presentes também – não ganho muitos e nem graúdos, nunca fui criança com aquele monte de pacotes debaixo da árvore. Gosto da desculpa para comer, é verdade, mas também não é isso.

Eu aprecio o Natal, acho, pelas minhas lembranças de infância. Porque na minha casa sempre me incentivaram a ler contos de fadas e imaginar coisas mirabolantes em cima deles. Sempre vi filmes mágicos e gostei de escutar histórias fantásticas – e da temática Natal saem muitas histórias assim, de mundos desconhecidos, acontecimentos impossíveis…

Geralmente tento ver filmes natalinos em dezembro, talvez para absorver que estou nesta época do ano, para sentir a passagem de tempo mesmo. Neste ano, no entanto, por causa do blog resolvi deixar os filmes e me aventurar pelos livros. Escolhi três, todos infantis:

Olivia ajuda no Natal, de Ian FalconerDesde que pus os olhos nessa série de livros do Ian Falconer não sosseguei. (Deve ser por pura vaidade mesmo.) Li o primeiro livro da série, Olivia, e achei o máximo. (Ainda a vaidade.) Olivia é uma porquinha criança, com seus 6 anos de idade, e muito empolgada com tudo: livros, museus, ópera, ballet… Mas da maneira que uma criança pode gostar e apreciar. Eu gosto da Olivia porque ela não é uma criança impossível como em muitos livros e filmes infantis: ela é crível e, mais importante, é inteligente e está sempre atenta – e sempre criando. E é empolgada. Sabem criança empolgada com cantar, dançar e por aí vai? (Quem me lê falando isso tudo sobre crianças deve achar que tenho uma renca, mas infelizmente nem me dou bem com elas. São outro mundo para mim.). Enfim. Em Olivia ajuda no Natal (Editora Globo, 2.ed., 2011, 55 p.), este livrinho curtíssimo e com ótimas ilustrações, a Olivia e seus irmãozinhos e família se preparam para o Natal, com tudo que sempre tem em histórias de Natal: compras de presentes, decoração, ceia, Papai Noel e desembrulhar. Este livro, em particular, não é nada demais, mas é agradável.

Cartas do Papai NoelEm Cartas do Papai Noel (Martins Fontes, 2012, 163p.), J.R.R. Tolkien quase partiu meu coração. Esse livrinho traz todas as cartas que Tolkien escreveu aos seus filhos entre os anos de 1923 e 1943 como se fosse o próprio Papai Noel. Ele conta sobre sua casa, trabalho e outras criaturas do seu dia-a-dia no Polo Norte. Eu nem tenho outra palavra para descrever isso a não ser “mágico”. Fiquei me colocando o tempo todo no lugar de uma criança recebendo cartas do Papai Noel, com desenhos coloridos, caligrafia elaborada e selos do Polo Norte. Teria sido realmente mágico. Em várias cartas há também intervenções de amigos como o Urso Polar, que coloca comentários nas laterias das cartas, assina com sua patinha e se enrola para falar e escrever uma língua que não é a sua. Durante 20 anos Tolkien criou um mundo coeso para seus filhos baseado no fantástico e no maravilhoso, alimentando as imaginações de seus filhos. Se eu tiver filhos algum dia na vida, vou querer fazer isso também.

Papai Noel velhinho de muitos nomes

Por fim, Papai Noel: um velhinho de muitos nomes (Companhia das Letrinhas, 1995, 47 p.) foi um livro que me surpreendeu. Dos vários textos de autores como Tolkien, Maria Rita Kehl, Heloísa Prieto, dentre outro, a apresentação de Tatiana Belinky, por exemplo, me parece ser de uma profundidade e sensibilidade mais propícia para adultos. Aliás, uma das partes mais tocantes é quando ela conta de seu filho que queria que Deus existisse porque gostaria de pedir que Papai Noel existisse. De reflexões acerca das várias raízes que cercam as celebrações do Natal até histórias de Natais perdidos e crianças desesperadas por seus presentes, as histórias, em toda a sua variedade, parecem chamar a atenção para a ideia de que não existe certo e errado quando falamos de culturas, que não existe hierarquia entre elas – e mais ainda: que vivemos num híbrido, numa conexão de vários mitos e tradições que se adaptam e readaptam. A história de Lilia Mortiz Schwarcz, de um menino frustrado por ir passar o Natal com seu pai antropólogo numa tribo indígena no Pará, dá bem a tônica: todas as culturas são válidas.

***

Quando eu era pequena, meu pai se sentava comigo todo dezembro para pensar num presente que fosse condizente com meu “merecimento” naquele ano (acho que tinha mais a ver com compatibilidade financeira…) e escrever uma carta ao Papai Noel. Ele também me levava até uma agência dos Correios para que eu colocasse na caixa “Correio Internacional” meu envelope devidamente endereçado:

Papai Noel
Polo Norte

Tatiana Belinky escreve, sobre aqueles que dizem que alimentar histórias sobre Papai Noel é enganar as crianças: “como se as crianças, desde pequenininhas, não soubessem muito bem o que é faz-de-conta, e não embarcassem nesta fantasia, como em tantas outras, e delas desembarcassem quando bem lhes apetecesse…”. Acho que a gente sabe e não sabe, mas concordo que incentivar a imaginação pode nos dar mais possibilidades de interpretações do que chamamos de mundo real.

FELIZ NATAL!

Feliz natal! Biblioconto

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5 ideias sobre “Leituras temáticas: Natal 2014

  1. Maira Neves

    Oi Olívia, adorei o livro do Tolkien, parece incrível. Acho que Natal pode ser tempos de magia…mas muito para nos lembrar que o ser humano é capaz disso, de produzir magia.
    Feliz Natal!

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  2. Michelle

    Oi, Olivia!
    Eu não sou grande entusiasta do Natal, mas adoro filmes dessa temática (vai entender…)
    Este ano, também fiz leituras do tema e adorei “Cartas do Papai Noel” (provavelmente o único Tolkien que lerei na vida…hahaha). Vou guardar sua dica de “Olivia” para o próximo Natal 🙂

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  3. Lulu

    Acho Natal uma festa bonita, mesmo tendo um tom de melancólica. Enfim, é uma boa época de ganhar livros e comer, rs.
    Lindas indicações! Que fofo ter uma personagem, uma protagonista curiosa, com seu nome / apelido ^_^ Uma graça a porquinha Olivia ❤ Tenho muita vontade de ler “Cartas do Papai Noel”, mas sempre deixo de lado. Este ano vou providenciar! “Papai Noel: um velhinho de muitos nomes” deve ser interessante.
    Beijos, Olivia!

    Resposta

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