Resenha: Confissões de uma groupie: I’m with the band | Pamela Des Barres

Eu gosto bastante de livros e filmes sobre a história do rock. Devorei Mate-me, por favor impressionada com os depoimentos sobre o mundo underground e o nascimento do punk rock. Não conseguia parar de assistir as dez horas do documentário The History of Rock’n’Roll e já vi inúmeras vezes filmes como The Wonders – o sonho não acabouVelvet Goldmine e Quase Famosos. Especialmente Quase Famosos.

Sempre ficou comigo, aliás, o que algumas personagens do filme falavam sobre groupies – garotas que são fãs de bandas de rock e que seguem seus ídolos incansavelmente. Não me esqueço de uma que dizia que elas eram a inspiração, que estavam ali para dar ajuda e apoio aos músicos: elas eram band aids (na tradução literal, ajudantes de banda – numa referência ao curativo). Assim, me empolguei bastante ao encontrar este livro de Pamela Des Barres, a mulher que inspirou a própria Penny Lane do filme.

Confissões de uma groupieÉ difícil falar sobre um livro de memórias. No final das contas, não sei até que ponto já deixei de falar do livro em si e passei a falar da pessoa, da vida dela, da vida que ela resolveu contar. De qualquer maneira, um breve resumo de Miss P.: Pamela era uma adolescente em Los Angeles no final dos anos 1960 que amava os Beatles e os Rolling Stones (foi mal, não deu pra segurar). Ao se formar no high school resolve fazer de sua vida frequentar os lugares nos quais “as coisas acontecem” na cidade, onde ela acaba adentrando a cena musical e conhecendo vários artistas. No livro ela fala basicamente da sua vida desde adolescente, passando por suas experiências com drogas e sexo com diversos músicos – até “se aposentar” como groupie.

Talvez o grande problema para mim em relação a este livro é o modo como ele é escrito. É verdade que Miss Pamela mantinha diários e que o livro é cheio de trechos deles, mas parece que a linguagem permanece a mesma desde aquela época até o momento em que ela escreve o livro (em 1987): quase aos 40 anos de idade ela segue escrevendo como uma adolescente. Mais uma vez digo: é difícil falar de memórias. Ela aparentemente está completamente satisfeita com a vida dela (o que é excelente e completamente plausível), mas fico pensando se, com o passar do tempo, a visão que temos não vai mudando. Não estava esperando que ela se arrependesse de nada, mas seria interessante ter visto comentários mais profundos da Pamela “atual” em relação aos seus pensamentos e ações do passado. Me parece que faltou o que considero fundamental em memórias, que é a reflexão. Do jeito que está me pareceu mais um diário comum de adolescente.

No entanto, fiquei pensando sobre groupies. A impressão que tive foi a de uma adolescente como qualquer outra (inclusive da atualidade) que ama incondicionalmente seus ídolos, sonha com eles, escreve cartas e faz piadas com amigas. (Acho que já fui assim com: Leonardo Di Caprio, Backstreet Boys, Ewan McGregor e Jonathan Rhys Meyers no filme Velvet Goldmine, e Tilo Wolff da banda Lacrimosa – uma banda gótica alemã. Pra vocês verem!) Fico lembrando de mim mesma como adolescente e como tudo era extremo: amar uma música, por exemplo, meio que poderia me fazer amar o cantor/compositor. Bom, o ponto aqui é: groupies simplesmente foram fundo. Eram meninas (sim, porque inicialmente eram meninas mesmo) que estavam no lugar certo e na hora certa – neste caso, a LA dos anos 60.

I'm with the bandEu esperava mais dos bastidores do rock propriamente dito, das vidas de músicos na estrada ou das relações que eram estabelecidas. Pamela Des Barres dá pouco disso em seu livro, que é mais concentrado nas obsessões amorosas dela. Ainda assim, é um relato de uma fã: fã que conseguiu se aproximar, para inveja de muitos, de grandes ídolos do rock como Mick Jagger, Jimmy Page e Keith Moon.

Ainda estou interessada em seguir lendo sobre o rock. Antes estava até razoavelmente interessada em um livro da Patti Boyd, mas depois de ler algumas resenhas cheguei à conclusão que será muito parecido com este aqui (embora ela tenha realmente sido próxima do crème de la crème da música). Alguém teria mais livros sobre o mundo da música para recomendar?

***

Título original: I’m with the band: confessions of a groupie
Ano de publicação: 1987
Idioma original: Inglês

Título em português: Confissões de uma groupie: I’m with the band
Ano de publicação: 2004
Editora: Barracuda
272 páginas

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4 ideias sobre “Resenha: Confissões de uma groupie: I’m with the band | Pamela Des Barres

  1. lualimaverde

    Olivia, lembro que você comentou sobre esse livro em um video e até mostrei pro meu marido pois ele se interessa por livros assim. Eu também me interesso por livros de rock, mas como os livros de não-ficção nunca são prioridade pra mim, acabo nunca lendo. Na minha adolescência eu pensava nas groupies de uma maneira bem negativa, tinha muito preconceito etc. Hoje já vejo de uma maneira totalmente diferente, a mulher encontrando uma forma de “fazer parte da banda”, mas ainda assim penso: por que você não aprende a tocar guitarra e forma sua própria banda, entende? Fico dividida porque não vejo nada de errado mas ao mesmo tempo me incomoda que a maioria das mulheres faça essa escolha, essa adoração que não as leva a fazer algo por si próprias. Não sei, mas dá uma discussão boa. =)
    Beijo!!

    Resposta
    1. Olivia Autor do post

      Totalmente entendo, Lua. Essa foi a minha sensação o tempo todo. Fiquei pensando que, apesar de várias mulheres estarem o tempo todo em contato com os músicos e bandas, elas nunca estavam produzindo música. A Pamela Des Barres chega a falar sobre não estar fazendo nada da vida em alguns momentos do livro, mas ela me parece uma pessoa perdida, alguém que nao sabia o que queria realmente, e que mergulha na criatividade de seus ídolos, como se apenas estar perto deles bastasse. Mais uma vez, eu acho ultra difícil falar de memórias sem ter a sensação de que estou julgando a vida e as escolhas da pessoa, sabe. A vida é dela, ela aparentemente esta satisfeita com aquilo – quem sou eu pra falar qualquer coisa, né? Este é apenas um relato sobre groupies, na verdade eu fiquei interessada em saber mais coisas. Amigas dela morreram jovens, outras abandonaram essa vida completamente e foram ser mães de família e donas de casa. Tem um outro livro dela que fala mais sobre várias outras groupies, talvez um dia eu pegue pra ler, mas por enquanto nao estou animada…

      Resposta
  2. Eduarda Sampaio

    Olivia, eu tenho muito preconceito com groupies. A Lua, aqui em cima, disse que superou esse preconceito. Eu infelizmente ainda não evolui o suficiente… Rsrsrsrs. Quando penso em groupies, só lembro de um filme chamado “Loucas Demais” que passava na Fox. Duas amigas foram groupies quando jovens, só que uma cresceu, casou, formou família, e a outra continuou exatamente igual. Eu sempre achei as groupies um pouco bobas e superficiais. Lógico que nos encantamos com bandas e artistas, e queremos ser amigos deles, mas esse exagero, pelo menos para mim, beira a histeria. Acho até razoável quando a pessoa é adolescente, mas depois de uma certa idade acho que chega a hora de amadurecer, sabe?
    Enfim, acho que eu nunca compraria um livro desses pra ler por puro preconceito mesmo. Mas quem sabe eu até acabaria gostando da leitura?
    Adorei as dicas de filmes! Anotei todas!
    Beijo!

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    1. Olivia Autor do post

      Pois é, Eduarda… Eu nao tinha preconceito nenhum (acho que nunca tive), mas depois de ler esse livro comecei a desgostar um pouco. Eu acredito mesmo que essa primeira geração de groupies estava lá pela música, por amar seus ídolos e tudo mais, e que o sexo, justo na revolução sexual, era parte relativamente normal das relações. Só que pelos relatos da Pamela a impressão que eu tive é que, pelo menos inicialmente, o sexo era a única coisa que ela sentia que tinha para oferecer para o outro. Ela chega a falar que não sabia conversar! Como assim?!?!?! Concordo com vc que é superficial. Pode até ser que ela teve ótimas conversas com pessoas das bandas, mas no livro pelo menos não é isso que a Pamela conta. É tudo empolgação de adolescente do tipo “ai, ele é lindo! omg omg omg!”. Tenso ler 300 e tantas páginas disso, seu eu tivesse diário na adolescencia ia ter mais ou menos a mesma coisa (menos os encontros com os caras, claro). Fiquei me perguntando o que é que tinha de tão especial naquilo ali pra ter essa glamourização toda…
      Veja os filmes, eles sao todos sensacionais! =)
      Besos!

      Resposta

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