Discussão: Livrarias vs. Bibliotecas | Sobre compras de livros

Um vídeo discutindo um pouco sobre usar bibliotecas gratuitas, comprar livros e esse fetiche do livro como objeto.

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Texto do Bibliotecários sem Fronteiras

Vídeos com discussões interessantes sobre o tema de comprar livros:
Do canal Avião de Papel
Da Juliana Brina do Pintassilg

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4 ideias sobre “Discussão: Livrarias vs. Bibliotecas | Sobre compras de livros

  1. Lilian

    Não sei se a gente já falou sobre isso (lembro de ter falado isso com alguém), mas a compra do Kobo foi um jeito de tentar refrear minha compra alucinada de livros, só que o meu problema era mais o nomadismo e o peso dos livros mesmo: não sei onde vou estar daqui a alguns anos e não vou poder levar essa moçada toda comigo. O fato é que eu continuo comprando livros (dei uma parada pra ler os que eu tenho e os que eu baixei), mas tb pego muitos livros na biblioteca. Meu critério é o seguinte: compro aquilo que eu gosto muito, de autores que eu admiro ou livros acadêmicos que me servirão pra consultação futura. Todo o resto eu tendo a pegar na biblioteca ou tento baixar. Livros muito caros tb entram nessa história, tipo, não vou pagar mais de 20 euros no livro, a menos que seja algo que eu queira loucamente ou que seja muito importante pra minha pesquisa.
    Não sei tb se vc conhece meu passado como ladra de livros, mas fiquei pensando no que vc falou sobre deixar as bolsas pra evitar roubos e tal. Eu roubava livros justamente pq eu acreditava que estava fazendo um favor pro livro mesmo, já que ninguém ia lê-lo e eu ia poder amá-lo e respeitá-lo. É claro que essa era a justificativa fajuta que eu tentada dar pra minha cleptomania, mas no final das coisas o livro da biblioteca é um bem público e a gente não pode simplesmente sair roubando o bem público só pq a gente acha que vai dar mais valor. E tb a gente nunca sabe, mesmo se o livro for ser lido em toda a sua vida por uma única pessoa, ele precisa existir pra que essa pessoa o encontre. (eu não roubo mais livros, principalmente pq os sistemas de segurança das bibliotecas estão cada vez mais sofisticados).
    E tb fiquei pensando mesmo nessa burocracia pra entrar em bibliotecas e eu mesma às vezes fiquei desencorajada por causa disso. Tinha uma biblioteca em Paris onde além da carteirinha pra entrar vc tinha que solicitar o livro através do sistema informatizado, esperar 20 minutos, pegar o livros e se vc tivesse que sair da biblioteca pra ir no banheiro tinha que devolver no guichê “saída rápida” (que se fosse mais de 20 minutos o livro voltava pro depósito e vc se fudia) e não podia pegar mais de 4 livros por vez (lembrando que era só pra consulta). Tipo às vezes eu ficava segurando pra não ir no banheiro senão ia ter que fazer essa coisa toda…. E aqui tem muito disso, bibliotecas que não tem estantes abertas. E já que meio que mudei de assunto, o que vc acha disso, dessas bibliotecas onde vc não tem livre acesso aos livros, não pode andar pelas estantes e escolher o que vc gostaria, tem que saber exatamente o que vc quer e solicitar? Acho isso uó, mas acho que deve servir pra bibliotecas com grandíssimos acervos… sei lá, diga-me tu.
    Falei demais, beiju

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    1. Olivia Autor do post

      Acho que não sabia que você tinha um Kobo! Mas já vi algumas pessoas falando justamente disso dos e-readers, que eles te dão uma facilidade de carregar livros e nao tem problema de espaço físico. Sobre isso do roubo de livros, eu concordo com vc. Tem que deixar lá, afinal de contas é de todos e deve ficar à disposição. Eu levantei isso do roubo não pra justificar, longe disso. Era só pra falar que essa ideia de proteger o livro enquanto objeto é muito mais dominante no debate do que a própria circulaçao desses livros. Quero dizer, em bibliotecas o assunto “guarda e preservação” é muitas vezes infinitamente mais presente do que “circulação, serviço para os usuários”, esse tipo de coisa. Isso, eu entendo, é significativo do que entendemos ser o livro: mais um objeto de exposição e menos algo que se realiza na leitura, ou seja, na prática. Mas enfim.
      Sobre isso de solicitar, um saco mesmo. Na Luiz de Bessa tem uma parte assim, mas é pras obras raras e coleções especiais. Eu entendo, porque nesse caso tratam-se de exemplares difíceis de encontrar. Além da importância do texto, às vezes a propria materialidade do suporte tem sua relevância histórica e tal. Geralmente esse tipo de acervo é procurado por pesquisadores e curiosos mesmo. Aqui nao sei se tem mto disso… Sou uma formada em historia que nunca foi historiadora, entao só tive que sair atras dessas coisas uma vez. Em bibliotecas nao sei, mas em arquivos isso é comum, né. Só q uma coisa: a tendencia agora é digitalizar esses acervos, entao eles estarao ultra disponíves de casa mesmo! =))) Como anda essa política de digitalização por aí?

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  2. Will Randal (Escafandro)

    SHOW de bola a escolha do tema! Me identifiquei imediatamente, talvez por eu estar numa fase “biblioteca” agora. Já tive meu momento de compras inconscientes, onde o consumismo e o desejo de ter uma biblioteca gigante a curto prazo falaram mais altos. Essa fase culminou no acúmulo de livros que não traduzem minha personalidade e na falta de espaço em minha estante, além de dívidas. Nesse cenário foi muito importante a reflexão do que realmente era importante pra mim e qual era meu propósito. Aí então comprei um kobo, e foi nessa aí que pude valorizar os autores que eu realmente gostava(comprando obras digitais) e começar a ler em inglês(a versatilidade do aparelho é genial). Ficou claro pra mim que o conceito de acervo pessoal diz muito mais respeito às experiências que vivemos do que à uma casa cheia de produtos(livros, cds, dvds, roupas, etc.). Ano passado eu e meu kobinho conhecemos pelo menos 4 cidades novas, várias festas, vários livros bacanas, várias pessoas e histórias. Tudo por que eu deixei de gastar dinheiro com coisas que acumulavam espaço e tempo e passei a investir no que me retornava em experiência(e aí também incluem livros, que é o tema principal aqui discutido).
    Hoje eu não tenho o poder aquisitivo dessa época e é nesse contexto que eu resolvi investir na biblioteca municipal. E não há prazer maior que me deixar surpreender por livros dos quais eu nunca tinha ouvido falar, ou passar um mês inteiro lendo várias obras do mesmo autor. Maravilhoso também é sentar no banco do parque que fica ao lado da biblioteca, e passar o resto da tarde devorando um livro que eu acabei de emprestar(e depois voltar correndo pra casa pra resolver os problemas de trabalho e faculdade).

    Mas diz aí, como andam suas leituras?

    Resposta
    1. Olivia Autor do post

      Olá, Will! Pois é, eu nem cheguei no tema dos livros eletrônicos, mas eu mesma tenho um Kindle e estou reaprendendo a usar, sabe. Comprei ele justamente porque teria acesso a mais livros sem gastar muito, mas acabou que depois de um tempo comecei a comprar livros mesmo. Eu entendo muitas pessoas que reclamam das bibliotecas, afinal de contas nao é toda cidade que conta com bibliotecas com acervos legais, que estao bem localizadas e por aí vai, sem contar que às vezes as pessoas simplesmente não têm tempo de se deslocar quinzenalmente. Mas enfim, é isso aí, temos que fazer escolhas. Entendo completamente quem quer uma biblioteca enorme (quem nao quer?), mas aí vai de cada um definir suas prioridades na vida. Que bom que o Kobo te proporcionou, além da vivência dos livros, tantas outras experiencias! =)
      Atualmente seleciono livros para ler somente entre os que eu já tenho, tenho no Kindle ou estao na biblioteca. Vamos ver quanto tempo isso dura!

      Resposta

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