Café, pão de queijo e… O Sol é Para Todos

Atticus Finch é um desses nomes que eu já conhecia. Associava somente ao Gregory Peck, sem ter ideia de que tipo de personagem ele era, em que história ele aparecia. Aliás, essa é a minha maneira preferida de começar a ler um livro: sem saber nada sobre a trama. Foi assim, então, que cheguei em “O sol é para todos”.

ToKillaMockingbirdPublicado originalmente nos Estados Unidos em 1960, a história de Harper Lee é contada em primeira pessoa, sob o ponto de vista de uma menina entre seus 6 e quase 9 anos de idade. É pelo olhar particular de crianças que somos apresentados às pessoas da pequena cidade de Maycomb, no estado do Alabama, nos anos 1930.

Fica clara a razão deste livro ter se tornado um clássico instantâneo nos EUA. À época de sua publicação, os movimentos no sul do país pelos direitos civis dos negros estava em evidência, com protestos e manifestações tomando formas cada vez mais definidas. “O sol é para todos” escancarou um grande problema social americano, a segregação racial, de forma delicada embora contundente.

Ao longo das páginas, vamos construindo uma ideia do que é a sociedade da pequena cidade sulista. O círculo em evidência é formado por brancos de situação financeira razoável (é o período de depressão). Nas periferias, temos os pequenos agricultores – pobres – e os negros. Aprendemos junto com as crianças o que significa pertencer a cada um desses grupos, quem excluir, como interpretar certos aspectos, seja a roupa, o modo de falar, as escolhas de vida. Os adultos, ao descreverem algo, prescrevem como se comportar perante aquilo. No entender das crianças, no entanto, o modo de pensar que nós como leitores acabamos assumindo, as explicações parecem capengas: argumentos pobres e verdades que se aplicam a uns e não a outros.

OSoléParaTodosE porque estamos vendo tudo pelos olhos dessas crianças, a figura de Atticus Finch assume aquele ar heróico que tendemos a conferir a nossos pais. E certamente é um personagem fantástico! Parte dele o fio condutor da história: colocar-se no lugar do outro. Ao tentar assumir um outro ponto de vista, evidenciam-se as diferenças, os privilégios – e as covardias.

É difícil falar muito de “O sol é para todos” sem cair em spoilers, então vou ficando por aqui. Uma leitura deliciosa, emocionante (sem ser piegas) e incrivelmente (e infelizmente) válida ainda hoje.

Título original: To kill a mockingbird
Ano de publicação: 1960
Idioma original: Inglês

Título em português: O sol é para todos
Ano de publicação: 2006
Editora: José Olympio
364 páginas
(Esgotado)

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10 ideias sobre “Café, pão de queijo e… O Sol é Para Todos

  1. Michelle

    Comigo também foi assim. Eu só sabia que o livro era famoso e que havia virado filme com o Gregory Peck. Não tinha a menor ideia sobre a trama. E foi uma leitura que me ganhou logo nas primeiras páginas. Foi uma ótima surpresa encontrar uma história tão envolvente e delicada sobre um assunto tão sério e, como você disse, infelizmente atual. Entrou na minha lista dos melhores de todos os tempos.
    bjo

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    1. Olivia Autor do post

      Pois é, Michelle! Uma bela surpresa, né? Infelizmente o preconceito da década de 30 era verdade (e como!) no contexto de publicação do livro, mas o que nos EUA parece circular de ideia é que a luta dos negros acabou ali, no movimento pelos direitos civis. Hoje parece que eles enxergam isso como história e nada mais, no sentido de ter ficado no passado. Fico pensando no bafafá que foi aquele filme “The Help”, que todo mundo achou lindo e fofo e nao sei mais o que. Um filme legal, mas que ameniza a situação atual. Mas enfim, já estou estrapolando aqui!!! Obrigada pelo comentário! Besos!

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    1. Olivia Autor do post

      Olá! É um lindo livro mesmo e mais ainda: a leitura continuar com a gente, sabe? Eu ando pensando e pensando sobre o assunto, mesmo semanas após terminar de ler o livro…

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  2. Maira

    Olívia, eu quero muito ler esse livro! Mas tem esse problema da edição brasileira estar esgotada…já consegui um e-book, mas, sabe como é?, queria o livro, he he.
    Mas ele (e-book) já está na minha “pequena” lista de 2014 \o/
    beijo grande,

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    1. Olivia Autor do post

      Oi, Maíra! Obrigada pelo comentário. =)
      Ó, leia mesmo. É muito lindo e é dessas leituras que seguem com a gente. Eu não paro de pensar no assunto, me pego procurando outras coisas relacionadas… E com essa discussão agora sobre a escravidão por causa do filme 12 Anos de Escravidão (que não vi ainda) me parece relevante demais pensar nisso tudo. Mas enfim, estou extrapolando aqui. Enfim, recomendado demais! =D

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    1. Olivia Autor do post

      Leia, Jeniffer! Eu gostei MUITO da Chimamanda. Já gostava dela pelas entrevistas e pela TEDTalk, mas o livro me deixou ainda mais encantada. Se não me engano já saiu o filme, então corre pra ler antes!! =)

      Resposta

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